Quando você gosta de um artista, ter a chance de conhecê-lo é sensacional. Foi o que aconteceu hoje de manhã. Fui à palestra de Paulinho Moska na faculdade. Paulinho Moska, o cantor, o compositor, o artista.
Moska, como gosta de ser chamado, falou sobre a composição da vida. Definiu-se como um aluno ruim, que não fez faculdade, “fui um vagabundo que deu certo”. Fez um curso de Teatro de 2 anos na CAL. Disse que as pessoas esquecem que nossos defeitos são nossas melhores qualidades.
Quando perguntado sobre fama e sucesso, respondeu: “eu não me sinto uma estrela, se não eu não estaria aqui”. Disse gostar muito de encontrar pessoas, conversar. “Você precisa do enlevo dos encontros, da experiência dos encontros diários”.
Sobre suas composições, se definiu como escravo da rima e ainda completou falando que a canção é a rainha de sua vida. Definiu a arte como um triângulo, na sua primeira ponta vem a arte em si; na segunda, a vida; na terceira, a liberdade. No meio do triângulo há o tempo. E essa figura gira num movimento eterno. Disse ainda que a liberdade não se ganha nem se conquista, a liberdade se exerce, é um exercício como a felicidade e o amor.
Moska falava e eu escutava atônita na plateia. Ele disse que ao contrário do que muitos pensam, ele não era intelectual. Para mim, ele é poesia em forma de gente. Eu, a pessoa que adora perguntas, não sabia o que perguntar; mas era uma tortura ficar calada. Falei que suas músicas falavam muito de amor e brincava com palavras, quis saber como era o processo criativo. Ele me disse ser ateu e que para um ateu é difícil não ter no que acreditar, por isso disse que o amor é seu Deus e, que seu processo criativo é sua própria vida e seus encontros.
É difícil dizer para um artista o que sua música significa para você. Isso acontece muito comigo com as canções de Moska. Ao fim da palestra, fui me despedir dele e disse “eu adoro o seu trabalho”, ele, por sua vez, disse “é muito bom ouvir isso”. Estava satisfeita.