Abrem-se as cortinas. A bailarina gira e rodopia. A dança é lenta, árdua, encantadora como a vida. Nem tudo aquilo que parece, realmente é. A bailarina é de mentira; as cortinas, também. O ballet ocorre na caixinha de música, que se perdeu no tempo e espaço, minha única lembrança de certo passado.
A pequena bailarina não tinha sapatilha de cristal, mas era toda de porcelana. Em um de seus rodopios, ela se perdeu e caiu de seu eixo. Embaralhou-se em sua própria dança. Ela se partiu em pedaços. A música nunca mais foi a mesma.
A bailarina hoje gira em pensamento, seu tombo passa em dias de melancolia, mas sua música continua tocando. Porque a esperança renasce todos os dias.